Considero o carnaval uma droga. Literalmente, confirmo a anterior consideração. Não vejo a tal liberdade, não vejo a tal volta à infância, não vejo como um momento de alegria; ao contrário. No carnaval vejo insanidade coletiva, oportunidade para chifrar o namorado, para chifrar a namorada, maior índice de violência, menor de razão; vejo no carnaval desculpas esfarrapadas para as mais esfarrapadas ações, maior quantidade de gente estúpida por metro quadrado e menor qualidade musical por metro quadrado. Acabamos de sair de uma enchente. Acabamos de entrar no carnaval. Também não poderia esperar muito. Na enchente, que deveria supostamente ser trágico, vimos a população saquear eletrônicos, máquinas de lavar, monitores de computador, televisores LCD; imaginem o que se faz durante o carnaval.O carnaval é a festa da igualdade? Sim. Sim, porque a falsa felicidade e a idéia equivocada de alegria pairam sobre todos. Pobre ou rico, homem ou mulher, gay ou hétero. Não tem exceção. Todo mundo é duro de grana, mas pro carnaval todo mundo tem grana sobrando; todo mundo está exausto de tanto trabalho, mas pula os dias de carnaval sem parar. Não entendo o nosso povo, não entendo mesmo. Agora imagina isso numa visão microscópica – Itajaiense – falando. Um dia vejo as Ligas das Escolas de Samba dizendo que não têm grana, noutro vejo o anúncio na Record que o carnaval de Itajaí vai ser televisionado completamente pela emissora e que quem patrocina é a Liga das Escolas de Samba de Itajaí. ???? Vejo os envolvidos no carnaval de Itajaí só em época de carnaval em Itajaí. E o resto do ano? Itajaí não tem problemas? Tirando um ou outro, 99% dos envolvidos no carnaval nunca foram ao teatro, a um show do festival de música e, quiçá, a uma apresentação teatral de um grupo aqui da cidade. Se a mesma vontade e força e “união”, que guardam para o carnaval, fosse usada para sair às ruas e exigir mudanças e ações de todas as esferas do poder, o Brasil seria país de primeiro mundo. Isso porque to falando de Itajaí. Mas não é assim e também não se faz isso, a Globo não quer. Mas a questão não é essa… nós, do “Bloco Anarco-Carnavalesco Filhos de Maria do Cais”, vamos sentar tranqüilos num boteco aqui de Itajaí, sossegados, tomando nossa gelada (seja qual for a espécie) e vendo a banda passar, bem distante disso tudo… deste inferno terreno. Quero deixar bem claro que isso é uma opinião pessoal minha e que não quer dizer que todos os membros do nosso grupo pensem assim. Eu que sou ranzinza mesmo. Abraço para todos e desejo distância do carnaval para os amigos que quero tão bem.
Em tempo: O Bloco Anarco-Carnavalesco Filhos de Maria do Cais, é organizado pelo Helinho (O Cubacheiro aí do lado) e pelo Rafaelo (aí do lado também). Tô porque gostei!
Seba, concordo em parte e como as partes fazem o todo…rsss Como dizia o guru Zen-Zen de Camargo: “A beleza interior tá no interior!”
abração e até o Maria do Cais!
vamos passar lá pra dar um abraço em voces…oh iéis!
foi ducaralho, hein?
seu… seu… ranzinza!